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Histórico

A história desse hospital está diretamente relacionada à criação de uma instituição de auxílio mútuo ligada à colônia portuguesa na capital do Império – a Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência do Rio de Janeiro – fundada a 17 de maio de 1840 com objetivo de dar assistência aos cidadãos portugueses residentes e aos imigrantes daquela nação.
Em 1848, surge através do sócio João Nunes de Andrade, a idéia de construção de um hospital. No ano seguinte, no bojo da primeira epidemia de febre amarela que assolou a capital do império no verão de 1849-1850, é inaugurada em 1º de março de 1850 uma enfermaria, sob a proteção de São Vicente de Paulo, para atender aos portugueses indigentes acometidos pela epidemia. Essa enfermaria foi dirigida pelo médico homeopata João Vicente Martins.
Nos anos subseqüentes, uma comissão formada por Francisco da Silva Melo Soares de Sá, José Joaquim de França e Henrique Pereira Leite Bastos, foi nomeada para estudar o esboço de um primeiro projeto do hospital. O projeto arquitetônico foi entregue ao arquiteto Luiz Hosxe. A pedra fundamental foi lançada em dezembro de 1853 e as obras começaram logo em seguida. Apesar da expectativa de estar pronto em dois anos, o Hospital foi inaugurado no dia 16 de setembro de 1858, data de aniversário do rei d. Pedro V, de Portugal. Contudo só foi aberto para o público em janeiro do ano seguinte (07/01/1859).
Na década seguinte, já na gestão do visconde de Souto (1864-1866), foi inaugurada uma enfermaria – Jerônimo da Costa Jácome, em homenagem ao benemérito que a ajudou construir –, em terreno anexo ao do hospital, destinada ao isolamento de doenças contagiosas, notadamente a varíola.
O período de 1867 a 1871 é considerado como o de consolidação do hospital. Na gestão do visconde de São Mamede (dois biênios) foi construída e inaugurada a farmácia, localizada no pavimento térreo das enfermarias na face da Rua Santo Amaro, e a capela mortuária – nos fundos do hospital; além de ter sido adquirido terreno contíguo ao do hospital. Esse período é marcado pelo recebimento de um grande número de donativos e legados; além da realização de várias listas de subscrições e festivais com renda voltada para a Beneficência.
Com o hospital consolidado e tendo sido vencidas as dificuldades financeiras, houve nova expansão com a contratação de um projeto para a construção de um novo hospital, na presidência do visconde de São Salvador dos Matosinhos (1874-1876), João José dos Rios. Mas foi somente na gestão seguinte (1877-78), do comendador Joaquim José Rodrigues Guimarães, que foram iniciadas as obras das novas enfermarias, nivelando-se o terreno do novo edifício, cuja pedra fundamental foi lançada em 16 de setembro de 1877. Três anos depois, a 19 de dezembro de 1880, na segunda gestão do, então, Conde de S. Salvador de Matosinhos (1878-87), foi inaugurado o novo edifício, onde foram estabelecidas três enfermarias: homeopática; dosimétrica e oftalmológica.
Na administração do barão de Santa Leocádia (1888-90) foi construída uma enfermaria especial para o tratamento dos sócios alienados.
Em 1884 foi inaugurado o Asilo de Ensino Profissional, destinado a dar formação profissional aos menores desvalidos, filhos dos sócios. Por ter sido considerada uma obra custosa e incompatível com a atividade hospitalar da Beneficência, o asilo foi sendo desativado aos poucos no início dos anos de 1890, para ser extinto na gestão de José Gonçalves da Mota (1895-1896). No edifício onde funcionara o Asilo, foi instalado um hospital de isolamento, destinado ao tratamento de doenças infecto-contagiosas, inaugurado a 26 de setembro de 1897, quando terminaram as obras de adaptação.
Ainda na gestão do Comendador Antônio Gomes de Avellar (1896-98) foi inaugurado o hospital do isolamento; além de ter sido ampliada a enfermaria de S. Antônio destinada ao asilo de sócios inválidos, recebendo até 20 internos; e da reforma de diversas dependências do hospital.
O início do século XX trouxe novas modificações à Beneficência Portuguesa, notadamente na longa gestão de José Júlio de Morais, visconde de Morais (1923-31). Foi nesse período que um assunto que vinha sendo discutido ao longo de várias administrações consegue ser resolvido: a transferência dos inválidos e dos velhos, além da instalação dos tuberculosos e dos neuropsíquicos em outro terreno fora do hospital e fora da zona urbana. Idosos e inválidos começavam a encher o hospital da Rua Santo Amaro, assim como a presença dos tuberculosos impunha a necessidade de transferi-los para um local cujo clima e situação topográfica propiciassem melhores possibilidades de cura. Nesse sentido, foi adquirida a propriedade senador Lauro Müller, situada em Jacarepaguá, na Rua Florianópolis, no. 112, em de outubro de 1923, para a instalação de um Retiro para Velhice, nomeado Retiro Jaime Sotto Maior; e o Pavilhão Zeferino de Oliveira para tuberculosos.
A 17 de abril de 1927 foi inaugurado o Hospital Visconde de Morais dedicado às mulheres e instalado no Palacete Fialho – edificação fronteiriça com o hospital da Beneficência Portuguesa e adquirido em 1898. Esse hospital teve direção técnica de Jorge Monjardino, com colaboração de Jaime Lino Soto Maior e de Francisco Pereira dos Santos e compõe o complexo hospitalar da rua Santo Amaro.
A partir da gestão do comendador Frankllin Ceppas (1956-1958) começou-se a questionar a estrutura do hospital que já não comportava o aumento do quadro social. E a 1º de dezembro de 1960 foi lançada a pedra fundamental do terceiro hospital do complexo hospitalar da Beneficência Portuguesa na Glória – o Hospital Santa Maria – com a presença de Juscelino Kubitcheck, então presidente da República. O Hospital Santa Maria foi inaugurado no dia 23 de abril de 1972 pelo presidente de Portugal, Américo Thomaz. Oferecia 473 leitos, entre enfermarias modernas, apartamentos e quartos particulares. O corpo médico tinha a sua disposição uma centena de consultórios, centro cirúrgico, laboratórios, salas de radioterapia e de reabilitação; além de um anfiteatro, centro de estudos e biblioteca. O planejamento do novo hospital coube ao paulista Odair Pacheco Pedroso.
A construção desse pavilhão, já nos moldes de um hospital monobloco, aumentou para 1300 a oferta de leitos da instituição, número bem acima de sua clientela formada pelos sócios e por particulares. É nesse momento que a diretoria abre as portas para os convênios. Posteriormente os serviços de infra-estrutura (lavanderia, cozinha, entre outros) do hospital passaram por uma modernização. Sua farmácia também foi adaptada às novas exigências.
Atualmente, apesar da grave situação financeira, o hospital continua oferecendo seus serviços, tanto para os sócios, quanto para particulares e convênios.